Sobre a crise econômica brasileira que alguns insistem em dizer que não existe…


imagem205Se tem uma coisa que está me incomodando quando resolvo acompanhar as notícias nas redes sociais é o fato de ver algumas pessoas menosprezarem a gravidade da atual crise econômica brasileira. A quantidade de palestrantes que estão dizendo que isso são meros boatos inventados pela imprensa e que para as empresas que buscam inovações não há nenhum motivo para se preocupar é impressionante.

Como assim não há motivos para se preocupar?

Eu não sei na cidade de vocês, mas aqui em Presidente Prudente o número de placas “Aluga-se” que estão pregadas nas portas dos imóveis onde antes funcionavam empresas é alarmante. E ainda existe um agravante, depois de desocupados, esses pontos comerciais estão passando um longo período sem encontrar novos locatários. A razão é simples, ninguém quer se aventurar em uma loja física em um período tão turbulento quanto esse.

Para ninguém dizer que eu sou um pessimista, ou que esse fato só acontece na minha região, aqui estão alguns dados publicados pelo jornal Estadão que reforçam a minha opinião. A primeira reportagem cita que devido à crise, as micro e pequenas empresas já perderam cerca de R$7,1 bilhões em um ano. Já a segunda afirma que 66% dos empresários da pequena e média indústria temem pelo futuro dos seus negócios, essa ainda mais preocupante, visto que segundo os dados apurados, 6% dos industriais consideram o real fechamento dos seus negócios nos próximos três meses, o equivalente a 46 mil negócios, responsáveis por 230 vagas de empregos no setor.

Voltando ao assunto inicial, o ápice de toda essa perfumaria, que para mim foi a gota d’água, foi quando eu vi a foto de um palestrante entrando em sua apresentação com um monte de lenços gritando a todos os presentes uma velha máxima do mercado publicitário: “enquanto uns choram, eu estou vendendo lenços”.

Obviamente é muito mais fácil falar que não existe crise ou escassez de demanda quando você está dentro do seu escritório sentado no ar condicionado preparando os slides de uma apresentação, agora pergunte aos empresários ou vendedores que dependem do fluxo de clientes em suas lojas para ver se a opinião deles é a mesma.

Como citei anteriormente no texto no fim, nem o melhor mapa do mundo ajuda se você não sabe onde está, você nunca deve confundir a fé em que você vencerá no final – e que você nunca pode perder – com a disciplina para confrontas os fatos mais brutais de sua realidade atual, sejam eles quais foram.

Desenvolver novos produtos buscando conquistar novos mercados, criar métodos inovadores para facilitar as vendas, fazer parcerias estratégicas, criar um ecommerce, tudo isso é essencial, porém, o que eu não suporto é ver esses palestrantes pregarem ilusões de que basta seguir a receita de bolo que eles passam em suas palestras para que tudo isso dê certo.

Quer um conselho?

Da próxima vez em que um palestrante lhe dizer que em chinês crise e oportunidade se escreve da mesma forma, tente lhe devolver com um “E daí? Não sou chinês”.

Ou quando eles informarem que basta tirar o “s” da palavra crise para que ela se transforme em crie, devolva essa besteira com um “então pegue este “s” e coloque na palavra uma e SUMA.

Mais do que uma palestra falaciosa, para sobreviver a essa crise é necessário que o empresário tenha acima de tudo uma dose de realidade e de senso crítico.


Newslatter

Comentários

  1. […] Que a crise econômica brasileira está afetando o consumo das pessoas, e consequentemente o faturamento das empresas, isso pra mim já deixou de ser novidade, tanto que foi esse o tema de um dos meus últimos textos. […]

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