A tecnologia a serviço do futebol – O caso da Copa do Mundo FIFA


Germany’s national team players line-up before their international friendly soccer match against Chile in Stuttgart

E chegamos ao fim de mais uma edição da Copa do Mundo FIFA. Pessoalmente, além dos jogos da seleção brasileira, quase não acompanhei integralmente as demais partidas pela televisão. A meu ver, tirando a precoce eliminação da Espanha na primeira fase, o torneio quase não apresentou grandes surpresas nas etapas finais, 90% dos apostadores já previam que algumas essas quatro seleções chegariam as semifinais.

Para os amantes do bom planejamento, felizmente a seleção campeã foi aquela que realmente mereceu o título, o que nem sempre acontece no mundo dos esportes. Chega a ser engraçado o fato da mídia especializada enfatizar os pontos fortes de uma conquista apenas quando os resultados aparecem, se a Alemanha não fosse campeã, dificilmente eu estaria escrevendo um texto como esse e dificilmente você veria algo parecido na internet. Para isso damos um nome, oportunismo.

Mas qual a importância da tecnologia nessa história toda? Calma que eu já vou explicar, primeiro vamos voltar um pouco no tempo…

Nos campeonatos de antigamente, ou como o próprio Felipão disse uma vez: “no tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça”, se um time apresentasse em seu elenco um ou outro jogador acima da média, bem como uma comissão técnica razoavelmente capaz, isso já era mais do que suficiente para fazer uma equipe sair vitoriosa de um campeonato.  O campeonato era decidido apenas dentro das linhas do campo, havia pouca influência externa.

Os profissionais de estatística ainda não usavam suas habilidades matemáticas para auxiliar a comissão técnica, muito menos existia no mercado livros disponíveis sobre o assunto, os acadêmicos ainda não desenvolviam estudos sobre o time adversário e ainda não existiam softwares capazes de analisar o posicionamento e as melhores jogadas da sua equipe e muito menos da equipe adversária.

Em um cenário como esse, o dom natural de cada jogador prevalecia, não há duvidas.

Porém, os anos se passaram e a tecnologia entrou em cena. O mundo evoluiu meus caros. Hoje a comissão técnica de qualquer equipe obrigatoriamente deve conter um profissional capaz de analisar todos os dados de um jogo, seja da sua equipe ou da equipe adversária.  Diversos estudos acadêmicos estão sendo financiados no intuito de descobrir qual a melhor estratégia a ser utilizada pela comissão técnica e os programas de computador estão disponíveis no mercado para quem quiser agrupar todos esses dados e gerar uma informação relevante, tudo isso visando acima de tudo o aprimoramento técnico do elenco.

Só para citar um exemplo que ficou famoso na mídia, a contratação do atacante Guerreiro, que deu o gol do título do Mundial de Clubes para o Corinthians, se deu através de uma analise de dados feitas em um software.  Outro exemplo desse avanço foi contado pelo técnico da seleção brasileira de vôlei Bernardinho em seu excelente livro Transformando Suor em Ouro, publicado em 2006. Nas palavras do treinador, são utilizados dois programas estatísticos em cada jogo da seleção, um tático, que faz um mapeamento da quantidade, do percentual e do tipo de jogadas do time adversário e serve de base para formular as estratégias, e outro técnico, que mostra como cada jogador se comportou em cada fundamento e qual foi o seu aproveitamento final. Para finalizar, causou espanto nos brasileiros o vídeo que mostra um pouco de como a seleção Alemã utiliza toda essa tecnologia em campo.

Mas o brasileiro é o povo do jeitinho, esse negócio de tecnologia é coisa de gringo, qual a necessidade de usar um software interligado com tablets e notebooks se temos a boa e velha prancheta? Isso me faz lembrar de quando nós só percebemos que nossos carros eram carroças quando alguém resolveu aparecer com um importado, até então tudo estava indo muito bem, obrigado.

E foi assim que apenas depois de sofrer uma humilhante derrota para a seleção Alemã, e PRINCIPALMENTE vê-los ganhar o título na partida seguinte, é que deixamos o ceticismo de lado e nos mostramos abertos a receber essa nova tecnologia. Esquecemos também que esse é um trabalho de longo prazo, o que aceitamos aprender agora, só mostrará resultados daqui, pelo menos, 10 anos.

Então porque não começamos antes?

Porque para nós, o talento natural e a prancheta de papel sempre resolveram e sempre resolverão tudo.

Danke Deutschland!


Newslatter
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