Temor ou Argumento? Qual dos dois reflete o seu estilo de liderança?


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Apesar de não figurar entre as matérias que lideram a preferência dos estudantes na educação escolar, eu particularmente sempre me interessei pelos estudos referentes a nossa História.

Sabe por quê?

Ora, no mínimo porque ela nos ensina a não repetir erros.

Aliás, considerando que ela não mente, a História é uma das fontes mais confiáveis de ensinamento. A não ser que ela seja contada por mentirosos, é claro.

Mas este não é o caso, por exemplo, de Platão, que descreveu o pensamento e os costumes de uma época em seus mais de trinta diálogos, sempre tendo Sócrates como personagem principal.

Quando se começa a estudar liderança, um bom início é seu livro A República, em que pela primeira vez são discutidos temas ligados ao exercício da política e do poder.

E já na primeira página da obra encontramos uma situação que mostra como as pessoas podem ser convencidas a fazer alguma coisa. Confira.

Diga ao povo que…

Após ter participado de uma festividade em homenagem a uma deusa na localidade de Pireu, Sócrates estava voltando para Atenas quando foi alcançado por um grupo de rapazes que queriam que o sábio permanecesse mais um pouco na cidade, com a finalidade de se beneficiarem de sua inteligência.

Um deles, o arrogante Polemarco, lhe disse:

– Sócrates, parece que você está indo embora da cidade, mas, a menos que seja mais forte que nós, terá de ficar aqui.

– Existe a possibilidade de convencê-los a me deixar ir? – Perguntou Sócrates.

– Será que você consegue nos convencer, mesmo se não quisermos ouvir seus argumentos? – respondeu Polemarco.

– Aí fica difícil…

Nesse momento, outro jovem, Adimanto, interveio:

– Sócrates, você sabia que hoje à noite haverá uma corrida de archotes a cavalo, em honra à deusa, e também uma festividade noturna digna de ser vista, a qual gostaríamos que viesse?

– Bem, nesse caso, ficarei!

Parece que existem duas maneiras de conseguir que as pessoas façam alguma coisa. Simplesmente obrigando-as a fazer, ou obtendo sua colaboração espontânea. E ambas exigem algum tipo de força.

No primeiro caso, a força do temor; no segundo, a força do argumento.

A República nas Organizações atuais

A República, de Platão, tem mais de vinte séculos, mas continua atual na maioria dos conceitos, que tratam de assuntos da natureza humana, sendo, portanto, universais e eternos.

O tempo passa, a tecnologia avança, o conhecimento se avoluma, a sociedade se aperfeiçoa, mas o homem continua o mesmo em sua essência.

Nas empresas, ainda hoje, encontramos gerentes Polemarcos e gerentes Adimantos.

Empresas são lugares em que sempre tem alguém mandando e alguém obedecendo. Isso é próprio de conjuntos humanos em que há hierarquia e em que as tarefas são definidas em função de uma estratégia previamente estabelecida.

Se existe alguém que sabe o que fazer, alguém tem de saber como fazer. E o primeiro tem de informar o segundo – a estratégia de mãos dadas com a operação.

Sempre que você necessitar de alguém para uma tarefa, terá duas alternativas: ou a pessoa entender por que tem de fazer aquilo ou terá de ser simplesmente mandada.

Você tem dúvida sobre em qual das duas situações o resultado do trabalho será melhor?

Você obedece apenas porque tem mais poder ou porque as pessoas reconhecem que merece tal poder?

As pessoas sentem que você sabe exatamente aonde quer ir e como fazer para chegar lá? Ou não?

A resposta a essas perguntas é importante para entender como você está exercendo sua liderança. A não ser que as pessoas que você lidera não sejam dadas a pensar.

Nesse caso, tanto faz, porque com tal equipe você dificilmente chegará a algum lugar.

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*Texto adaptado do livro Com Gente é Diferente, de Eugenio Mussak


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