Um viva à nossa insatisfação!


Insatisfeito-e-infeliz-no-seu-trabalho

Grande parte das pessoas teria motivos mais que suficientes para estarem satisfeitas. Mas, muitas não estão. Elas vivem descontentes e por isso muitas vezes estão mal-humoradas, carrancudas ou sofrem do estômago. Elas vivem em paz, em liberdade e gozam do bem-estar, mas acham que tudo poderia ser ainda melhor.

O ser humano é um eterno insatisfeito, consigo mesmo e com os outros ao seu redor. O pior é quando essa insatisfação contamina o ambiente organizacional, estragando o humor e a motivação das pessoas que lá trabalham, fato não tão incomum de se presenciar.

Que atire a primeira pedra quem nunca chegou animado para trabalhar, mesmo na segunda-feira, e já no café da manhã teve que dar de cara com aquele grupo de funcionários esbanjando reclamações. Quantas vezes eu mesmo já não me vi nessa situação.

O ciclo é vicioso, e os protestos se expressam da seguinte forma:

Se a empresa comunica que irá dispensa-los por algum motivo após o almoço, eles reclamam porque queriam o dia inteiro de folga (quem já trabalhou em período de Copa do Mundo, sabe do que estou falando).

Se depois de algum feriado, a empresa comunicar que o expediente funcionará normalmente após o meio-dia, eles também reclamam, porque queriam o dia inteiro de descanso (se você pensou no feriado de Carnaval, acertou).

Se a empresa oferece um jantar de comemoração no final do ano, mas limita apenas um convite pago, os funcionários criticam, pois julgam que ela tem a obrigação de oferecer um convite extra para o seu acompanhante. E se ela oferece dois convites pagos, eles também reclamam, porque queriam mais um para o seu filho.

Se a empresa fornece pão e leite no café da manhã, existirão reclamações alegando a falta da manteiga, do queijo e do achocolatado.

Um viva à nossa insatisfação!

Vivemos em uma eterna insatisfação, somos todos eternos insatisfeitos.

Certa vez eu presenciei o que eu considerei o ápice da insatisfação.

Eis que eu trabalhava em uma empresa onde existia um funcionário que detestava o ar condicionado (dá para imaginar?). Mesmo em dias absurdamente quentes, eu não conseguia deixa-lo ligado por mais de meia hora, que ele logo ia correndo desliga-lo. Vivemos nesse dilema de liga e desliga por intermináveis meses.

Um dia, porém, o improvável aconteceu. A empresa teve que trocar seus geradores de energia e precisou ficar o período da manhã com o ar condicionado desligado. Adivinhem só qual foi o comportamento dele?

Começou a reclamar e pediu autorização para ir embora, porque, em suas palavras, era praticamente impossível trabalhar naquela temperatura.

Diante desses fatos, por vezes eu paro para refletir, será que essas insatisfações contra nossas empresas são meros reflexos advindos da nossa própria insatisfação pessoal?


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